Storytelling, engajamento e o garoto Zangief

Você já viu esse video. Mas não vai resistir a apertar o play mais uma vez.

Em menos de dois dias, o "Filho do Zangief" ganhou o mundo em um vídeo de 42 segundos de baixa qualidade, sem falas inteligíveis, sem famosos e sem efeitos especiais.

Estou postando isso aqui porque acho o video um grande exemplo de como barreiras culturais entre países podem ser quebradas pela mensagem certa.

Em menos de 5 segundos, os personagens já foram apresentados, e você já está torcendo pela retaliação. De uma maneira simples, esse video toca em uma ferida que qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo pode ter: o trauma do oprimido. Quem tem irmão mais velho, foi mais gordinho ou menos esportivo na infância, ou mesmo quem não sabe se impor na família ou no ambiente de trabalho já passou por isso. As chances estão todas contra você, e não há nada que se possa fazer.

Até que vem a grande catarse. Num rompante de raiva, o garoto cria uma opção: incapacitar seu pequeno opressor e acabar com a festa. Aos 20 segundos de filme, o underdog resolve morder, e você não conseguiu esconder o sorriso. Em menos de 5 segundos, a luta está terminada. E você certamente viu passando pelos seus olhos todos os momentos em que queria ter esta coragem.

Você não precisou de antecedentes escolares ou vídeos mostrando o dia a dia do pequeno vingador. A história da vida desse garoto se definiu em 42 segundos. E isso aconteceu de uma forma tão visceral, tão primal, que você não precisou entender uma palavra pra ser impactado.

Mas é claro que não foi só você. Essa entrevista com o garoto, chamado Casey, ajuda a entender a dimensão que a história dele tomou pelo mundo.

Uma expressão que se ouve muito no mercado publicitário é o tal "transmedia storytelling", que, falando bem por alto, é a noção de uma história contada de forma consistente em várias mídias ao mesmo tempo. Acho que esse video mostra que o "storytelling" ainda é mais importante do que o transmedia.

E pra terminar a prosa, vale notar a quantidade de respostas positivas que o Casey recebeu, tanto em depoimentos filmados quanto nos comentários aos vídeos criados por terceiros. Ainda estou pra ver alguém recriminar o garoto que, analisando friamente, quase quebrou o tornozelo de um colega de classe. Suspeito que isso sirva pra definir uma das melhores formas de se conquistar engajamento do público: contando uma boa história.

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Posted by Pedro Drable 

A vida do Primeiro Lemming

 

Imagine o seu mentor. Aquela pessoa bem sucedida da sua empresa, que te faz olhar para cima e pensar “essa é a carreira que eu quero ter”. Pensou? Agora, prepare-se para respirar fundo e jogar isso tudo no lixo.

 

É triste, mas pense comigo.

 

Você já deve ter visto centenas de vezes os dados que mostram coisas como “a internet está substituindo as mídias de massa”, “o jornal está morrendo”, “o fim dos 30 segundos”, “a explosão das mídias sociais” e outros gritos desesperados do tipo.

 

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Eu não concordo com essas afirmações categóricas que falam da morte de uma mídia ou do domínio absoluto de outra, mas todos esses números indicam pelo menos uma coisa: mudança.

 

Acho que, mais do que tentar mensurar a manutenção ou o declínio do que quer que seja, é importante perceber que o mundo está mais dinâmico do que nunca. Da noite para o dia, aparece um novo fator que tem potencial para mudar as regras do jogo. E ficar atento a isso é importante para qualquer carreira.

 

Na indústria fonográfica, veio o Napster, depois o P2P, depois o MySpace, depois o Itunes, e a lista continua. Para as mídias de massa surgiram o download ilegal, as redes sociais, o streaming, o conteúdo gerado pelo usuário etc. No setor do comércio foram a venda pela internet, depois os sites de leilão, comunidades de troca, cauda longa e tudo mais. Faça um exercício rápido: pense de maneira mais ampla no seu mercado e tente lembrar de pelo menos três ou quatro fatores que mudaram profundamente as coisas nos últimos dez anos. Conseguiu? Provavelmente sim.

 

Agora, quantos anos você espera ter de carreira? Trinta? Quarenta? Até lá, quantas vezes as regras do jogo vão ter mudado? Pois é.

 

O que isso tudo que dizer é que, por mais que aquele seu mentor lá do início do post seja bem sucedido, rico e famoso, seguir os passos dele não vai te levar a lugar nenhum. Ele não encarou os desafios e oportunidades do seu mercado. Porque você, assim como eu, é um sofrido e sortudo membro do grupo dos Primeiros Lemmings.

 

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Você pode não ter notado, mas caiu de paraquedas (ou de guarda-chuva) em um cenário completamente diferente do explorado pelas lideranças atuais do mercado. O alçapão da nova fase acabou de abrir, e você vai ser obrigado a construir seu chão enquanto anda. E quem já jogou Lemmings sabe quantas vezes isso pode terminar em um cruel e doloroso precipício.

 

Ainda assim, nada de medo. Você não pode parar de caminhar. Um Lemming nunca para. Se você quiser conquistar grandes objetivos, vai ter que tentar coisas novas. Prepare-se para obedecer sua própria estratégia, construir pontes, escalar barreiras, cavar espaços e as vezes até se jogar de cabeça. Porque o mundo não vai esperar até você estar preparado.

 

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Mas tem uma parte boa. Muito boa. Pense bem: se o cenário é novo, ninguém chegou no fim da fase.  Os postos de liderança da próxima geração do mercado de trabalho estão vagos. Estamos em um hiato, onde a maioria dos líderes estabelecidos ainda está presa ao passado, e a geração acostumada com as ondas frequentes de mudança está nas etapas iniciais da sua vida profissional. O Lemming nº1 tem grandes chances de morrer no caminho. Mas também pode ser o primeiro a vencer. E então ele se torna uma liderança, uma referência para milhares, milhões de profissionais. Pelo menos até que comece uma próxima fase.

 

Infelizmente, eu não sei qual é a direção certa a seguir. E se soubesse, também não te diria, porque eu estou tentando chegar lá. O que eu posso dizer é que os caminhos antigos não são mais uma opção. Na minha opinião, o melhor a fazer é aprender com seus mentores, crescer com a experiência deles, mas nunca tentar percorrer cegamente as trilhas abertas por quem veio antes de você. Elas te levam para trás, não para frente.

 

Quem sou eu pra dizer isso tudo? Um moleque em início de carreira. Absolutamente ninguém. Por isso, sinta-se convidado a ignorar tudo que eu acabei de falar e continuar seguindo o sucesso dos outros. Só não estranhe se eu não seguir você.

 

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Posted by Pedro Drable 

Mídias tradicionais e a função social da fofoca

Vivemos na Era da Superinformação. Além de sermos impactados diariamente por todos os lados, também possuímos disponível, a alguns cliques, todo o conhecimento acumulado pela humanidade. Isso pode ser enlouquecedor, mas na minha opinião, é a beleza real da época em que vivemos. Meu irmão, de 15 anos, gosta daquele programa do History Channel, O Universo, e se interessou tanto que passou a procurar artigos na Wikipedia e vídeos no Youtube sobre astronomia. Sendo um nativo digital, não teve nenhum problema em encontrar essas informações. Há algum tempo atrás, para algum jovem pesquisar sobre um assunto desse tipo era necessário ir a uma biblioteca empoeirada e buscar em livros que, com certeza, não teriam o mesmo apelo de um vídeo super bem produzido, postado no youtube.

Aonde eu quero chegar: hoje em dia, as novas mídias nos permitem encontrar informações completas e estimulantes sobre o que quer que nos interesse, e, como os seres humanos têm interesses muito variados, o fluxo de navegação na Internet se divide por bilhões de sites, vídeos, blogs etc., seguindo o esquema da Cauda Longa. Dessa forma, a Internet tem mudado a maneira de se ver televisão, aumentando ainda mais a dispersão desse meio. Para que irei aceitar a programação de uma TV aberta, por exemplo, se posso buscar exatamente o entretenimento que desejo na Internet?

Mas, um fenômeno interessante ainda ocorre. Apesar dos números de audiência dos programas de TV estarem caindo, percebe-se que o seu conteúdo (notícias de telejornais, novelas, jogos de futebol etc.) ainda pauta grande parte das conversações nas mídias sociais. Ontem à noite, por exemplo, boa parte da minha timeline no Twitter falava ou do Debate da Globo ou da Fazenda da Record, apesar de eu seguir pessoas com interesses diversos. Como explicar isso, já que agora as pessoas têm a possibilidade de buscar informações e se conectar com outros que compartilham interesses similares e não são obrigados a absorver o conteúdo que vem das grandes mídias?

Robin Dunbar, que estudou o tamanho dos grupos sociais de primatas não-humanos, comparando-os com os grupos sociais humanos, chegou a conclusão de que o tamanho dos grupos estava diretamente ligado ao tamanho do neocórtex destas espécies, como postei anteriormente. O pesquisador chegou também a conclusão de que a fofoca é uma prática essencial para manter a unidade e o entrosamento social entre os grupos, além de desenvolver o cérebro humano. Hein?!

 

Como Ronald de Sousa mostra nesse vídeo, os grupos sociais de primatas não-humanos, tinham no Grooming, ato de afagar os pêlos e catar piolhos e sujeiras, uma importante função social. Servia para conhecer os outros membros do grupo e fortalecer vínculos afetivos, função que aos poucos, com o crescimento dos grupos, veio sendo substituída pela fofoca, cola através da qual é possível manter a coletividade unida e conscientes de seus integrantes.

Bom, se a fofoca realmente tem o poder de manter um grupo entrosado, pode-se entender porque o conteúdo apresentado pelas grandes mídias continua ocupando lugar de destaque entre as conversas cotidianas. Se antigamente os grupos eram pequenos o suficiente para que fosse possível conversar sobre seus integrantes, de forma a ambas as partes os reconhecerem, hoje, com a globalização, formamos enormes grupos que, para possuir um assunto em comum, devem recorrer às pautas das grandes mídias.

E olha que todos reclamam dos conteúdos desses meios. Mas aí, sigo a opinião do Cris Dias, quando cita Cory Doctorow:

Content isn’t king. If I sent you to a desert island and gave you the choice of taking your friends or your movies, you’d choose your friends — if you chose the movies, we’d call you a sociopath. Conversation is king. Content is just something to talk about.

Diante disso, será que a TV e as mídias tradicionais vão mesmo morrer? Eu não acredito, não enquanto possuírem essa importante função social.

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Posted by Marcos Malagris 

Tom Peters X Dom Cobb - Clube da Luta #3

O Clube da Luta do Trend Zombies é um ringue onde teorias, crenças e citações antagônicas são colocadas frente a frente, para que possamos saborear a batalha.

Hoje, vamos colocar um guru dos negócios contra um ladrão de subconscientes, em uma discussão sangrenta sobre a natureza de uma ideia. De que lado você fica?

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"Uma ideia é uma coisa frágil. Desligá-la é muito mais fácil do que acendê-la. Ideias brilham porque alguém as teve, alguem ajudou e ninguem as desligou no processo."


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"Qual é o parasita mais resiliente? Bactéria? Um vírus? Um parasita intestinal? Uma ideia. Resiliente. Altamente contagiosa. Uma vez que uma ideia tenha dominado o cérebro é quase impossível erradicá-la. Uma ideia completamente formada - completamente compreendida... isso se fixa em algum lugar lá dentro."


Ideias morrem todos os dias e mudam o mundo de tempos em tempos. Aparecem e somem com a mesma facilidade. Ideias são completamente incontroláveis e imprevisíveis. E aí. Ideias são frágeis ou são a coisa mais forte que existe no planeta?

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Posted by Pedro Drable 

Conexões, Relacionamentos e o Número de Dunbar

O número de pessoas às quais estamos conectados não para de aumentar, mas isso quer dizer que estamos realmente desenvolvendo mais relações?


Bom, o antropólogo Robin Dunbar, estudando grupos de primatas, chegou a conclusão de que o tamanho natural destes grupos estava diretamente ligado ao tamanho do neocórtex das espécies, parte do cérebro que lida com pensamentos e raciocínio complexos. Ou seja, as espécies com o neocórtex maior conseguiam manter mais relacionamentos, formando grupos também maiores. A partir desta constatação, Dunbar estudou os humanos, constatando que o número médio, natural, de um grupo de pessoas era de aproximadamente 150 pessoas (147,5 para ser mais exato). O Número de Dunbar seria o número de indivíduos com os quais a maioria de nós consegue manter um relacionamento, por meio de contato pessoal, uma espécie de capacidade social.

 

O antropólogo, analisando diferentes culturas, como tribos da Austrália, Papua Nova Guiné e Groelândia, sempre esbarrou neste número. Notou também que nas organizações militares, com o passar dos anos, chegou-se a uma regra empírica, que dizia que unidades de combate funcionais não podem ter mais do que 200 homens. "Com unidades desse tamanho, é possível implementar ordens e controlar comportamentos rebeldes com base na lealdade pessoal e em contatos diretos homem a homem. Nos grupos maiores, isso é inviável."

No livro, O Ponto da Virada, Malcolm Gladwell utiliza como exemplo um grupo religioso conhecido como huteristas, que vivem de agricultura e subsistência em colônias da Europa e em alguns lugares dos Estados Unidos. Os huteristas adotam a política de dividir a colônia assim que o número de integrantes se aproxima de 150, e seguem essa regra há séculos, com o objetivo de garantir que os integrantes conheçam bem uns aos outros e mantenham-se entrosados.

 

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Ok, mas e nós que vivemos em meio a redes sociais e aparatos tecnológicos que nos aproximam de cada vez mais pessoas?

Para Don Tapscott, autor do Best Seller Wikinomics, a Internet e a tecnologia de redes sociais destroem os supostos limites de Dunbar. O Autor defende seu ponto dizendo que os jovens da Geração Internet usam redes de comunicação muito grandes e complexas, removendo de seu caminho problemas de localização geográfica e fusos horários e contactando outras pessoas com muito mais rapidez e facilidade do que antigamente.

Ok, não podemos questionar isso. Mas vamos imaginar o seguinte: entre os "amigos" que possuímos em nossas redes sociais, com quanto realmente interagimos? Dentre esses que interagimos, com quantos realmente podemos dizer que temos uma "relação"?

Dunbar opina sobre essa questão, dizendo que os meios digitais nos ajudam a manter contato quando estamos separados e a manter nossas relações vivas, mas, eventualmente, temos que nos reunir com essas pessoas fisicamente para fazer coisas juntos.

 

Já que esse post trouxe mais perguntas do que respostas mesmo, lá vai: A Internet e as redes sociais desbancaram Dunbar ou podemos dizer que o número de relações significativas que temos continua o mesmo?

 

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Posted by Marcos Malagris 

Como você mede o seu progresso?

Uma das coisas mais difíceis da vida é aquela sensação, bem lá no fundo do pâncreas, de que na verdade você não sabe aonde esse trabalho todo vai te levar. Você não faz ideia do que vai conquistar com o esforço que está fazendo, e, sinceramente, mal consegue dizer o que gostaria de conquistar.

Mas não fique triste. Isso não é um problema só seu. Na verdade, a sociedade inteira sofre da mesma coisa. Eu disse inteira. É exatamente esse sentimento que faz a gente formular aquelas grandes perguntas fundamentais da vida.

Discussão meio sem pé nem cabeça? Não exatamente. Isso é bem sério no momento político de agora. Em época de eleição, vemos candidatos propondo metas, projetos, levantando causas e, claro, fazendo promessas. Mas eu tenho a sensação de que nenhum deles consegue desenhar com clareza que tipo de país está tentando construir. Todos dizem como vão tirar a água do barco. Muito poucos falam sobre como consertar o furo. E ninguem se preocupa em descobrir onde é o porto.

Progresso é uma coisa complicada de se medir. Inventamos abstrações numéricas para determinar o avanço econômico entre os países, mas na verdade esses parâmetros são balizados por outros parâmetros e convenções. Eles só conseguem indicar que N agora é N+1, o que pode não significar absolutamente nada.

O que seria então um bom objetivo para a sociedade? O vídeo que segue abaixo fala de um parâmetro interessante e válido para pessoas, países e para a humanidade como um todo: buscar felicidade com eficiência ecológica. Esse é o Happy Planet Index.

Pesquisei um pouco no site do Happy Planet Index e descobri que eu gasto o dobro dos recursos ambientais que deveria gastar de acordo com o projeto. Aliás, você também pode calcular o seu gasto.  Descobri também que o Brasil está em 9º lugar no índice, o que é uma colocação bem aceitável.

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Medir índices de felicidade é obviamente uma ciência difícil e imprecisa, mas uma coisa é impossível negar: esse parâmetro de progresso faz sentido. Pra terminar, gostaria de dizer que estou longe de ser um eco-chato. Só quero deixar para os meus netos um planeta onde ainda existam golfinhos.

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Posted by Pedro Drable 

Um mundo de autodidatas

Antes de começar esse post, tenho que dizer que estou juntando dois assuntos que li no Update or Die. O blog está melhor do que nunca, vale muito o clique.

 

Enfim.

 

Em um post anterior, falei sobre a angustia da Era da Superinformação. Pode ter soado um pouco como desabafo ou mimimi, mas é bom deixar uma coisa clara: eu adoro viver nessa era. Me encanta o fato de grande parte do conhecimento mundial estar ao alcance das minhas mãos, ou no mínimo, do meu cursor.

 

Mas é prematuro dizer que a internet democratizou a informação. Apesar de muitos avanços tecnológicos e sociais, o mundo ainda tem diversos bolsões de exclusão digital. Até mesmo o Brasil, segundo lugar em número de usuários nas grandes redes sociais do ocidente, como Facebook e Twitter, sofre com provedores caríssimos e uma péssima qualidade de conexão. Que dirá países onde a maior parte da população vive abaixo da linha da pobreza.

 

O cruel é que estes mesmos países são os que mais necessitam de informação e educação para mudar sua realidade. E o jeito mais fácil de levar uma grande massa de informação a um grande número de pessoas é ela mesma, a tal internet. Como faz?

 

Bem, um primeiro e grande passo seria levar acesso à internet para todo mundo. Isso aí, sem muita organização, ou grandes programas de ensino. Coloque um computador com banda larga na frente de crianças em qualquer lugar do mundo e elas começarão a aprender. Foi exatamente o que fez Sugata Mitra, um cientista e pedagogo indiano, em um experimento sobre a educação informal e a necessidade da figura do professor.

 

Sugata Mitra - The children-driven education

 

A conclusão de Mitra é que um ambiente que estimule a curiosidade é o suficiente para que as crianças desejem aprender, e busquem o conhecimento direto na sua fonte. O cientista chega a apresentar um plano para colocar isso em prática no mundo todo, e mudar a realidade do planeta em 10 anos. Isso é genial por si só. Mas espere, tem mais.

 

Outro cérebro privilegiado fez previsões bem próximas aos resultados do experimento de Mitra, só que em 1988: o grande mestre Isaac Asimov.

 

 

O que Asimov traz pra discussão é o potencial da própria busca no processo de aprendizado. O método sugerido por Mitra foi testado com uma série de desafios propostos ligeiramente a esmo. Na visão de Asimov, o conhecimento não só pode ser absorvido a partir de uma busca pessoal, mas gera um aprendizado ainda mais forte dessa forma. Os próprios interesses pessoais seriam a base perfeita para um aprendizado que obedece a velocidade do progresso e a profundidade desejadas pelo aluno. E o principal: a busca pessoal mantém aceso o prazer em aprender.

 

Pode parecer bobo, mas quem nunca ouviu aquele papo do professor de faculdade que só aceita referência de livro? E a alegação é que "com a internet, fica fácil demais fazer o trabalho". Ah, entendi, então a ideia é deixar o processo de aprendizado mais difícil, né?

 

E ainda há quem diga que é o computador que emburrece as pessoas.

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Posted by Pedro Drable 

Menos estratégia e mais execução - o planejamento pode matar ideias

Nós somos muito ruins em prever quais de nossas ideias irão dar certo. Para minimizar o risco de uma ideia se mostrar um fracasso, nós planejamos. Mas, o problema começa a ocorrer quando gastamos muito tempo com planejamento, etapa na qual muitas ideias morrem.

Quero compartilhar com vocês a palestra de Frans Johansson: The Secret Truth About Executing Great Ideas, onde ele discute a questão. Frans mostra que o fator comum aos inovadores, seja qual for a categoria, é o grande número de ideias que eles tentam tornar realidade, mesmo que possam vir a fracassar. #googlewavefeelings?

Longos processos de planejamento, nos quais você precisa agradar o público-alvo da sua ideia, além das pessoas que vão, de maneira direta ou indireta, bancar o seu projeto, podem alterar totalmente o foco inicial, criando os "monstros" que muitas vezes vemos por aí. Em algumas situações pode ser melhor simplesmente começar a execução e melhorar a ideia a partir do feedback obtido, adaptando-a.

Os grande inovadores são sempre mostrados como visionários que tiveram uma ideia genial, de uma hora para a outra. Quando lemos sobre eles, não são mostrados todos seus fracassos, mas somente aquela ideia específica que deu certo.

A dica, portanto, é fazer. Executar o máximo de ideias que você conseguir e não se sentir mal de abandonar os projetos que não estiverem dando certo. Vou fechar o post com uma frase conhecida, do antigo CEO da Southwest Airlines:

"We have a strategic plan. It's called doing things."

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Posted by Marcos Malagris 

David Bowie X Stephen Hawking - Clube da Luta #2

O Clube da Luta do Trend Zombies é um ringue onde teorias, crenças e citações antagônicas das mais variadas origens são colocadas frente a frente, para que possamos saborear a batalha. E dessa vez a questão é uma bela viagem.


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"Há um homem das estrelas esperando no céu
Ele gostaria de vir nos conhecer,
mas acha que explodiria nossas mentes
Há um homem das estrelas esperando no céu
Ele nos disse para não estragarmos tudo,
porque ele sabe que tudo vale a pena"


X


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"Nós só temos que olhar para nós mesmos para ver o quanto a vida inteligente pode se desenvolver em direção a algo que não gostaríamos de conhecer. Eu imagino que eles possam existir em naves gigantescas, tendo usado todos os recursos do seu planeta natal. Alienígenas tão avançados talvez se tornariam nômades, procurando conquistar e colonizar quaisquer planetas que eles puderem alcançar"..."Se alienígenas eventualmente nos visitarem, penso que o resultado seria bem próximo ao de quando Cristóvão Colombo chegou nas Américas, o que não terminou muito bem para os povos nativos."


E aí, você acredita em vida extraterrestre? E o principal: você acha que a vida extraterrestre vai chegar aqui pra acabar com a nossa?

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Eu não tenho nada a esconder

Já entrei em várias discussões sobre privacidade com o @marcosmalagris. Ambos aceitamos a ideia geral de que uma informação na internet é potencialmente uma informação de domínio público, já que, uma vez na rede, os dados são impossíveis de se controlar. E eu concordo que, por conta disso, a própria noção de importância da privacidade tem se tornado cada vez mais elástica. Afinal, se você coloca um vídeo no YouTube, uma foto no Facebook ou um poema em um blog, você sabe as regras do jogo. Mas e quando você não tem a opção de não jogar?

 

Foi notícia semana passada:   a cidade de Leon, México, será invadida por um sistema de reconhecimento de íris para “todos os aspectos da vida”  , ao estilo Minority Report. Ou seja, em algum tempo, você precisará apenas dos seus olhos para pagar contas, sacar dinheiro, entrar no Metrô etc. Bacana? Bem, isso também significa que o governo terá registros de localização e transações econômicas de todos os cidadãos cadastrados, a cada passo que eles derem.

 

Parece cinema, mas está acontecendo. A empresa de tecnologia biométrica Global Rainmakers Inc. (fornecedora do projeto para a cidade mexicana) conta com leitores que conseguem escanear a íris de até 50 pessoas em movimento por minuto, bem mais que o suficiente para uma entrada de shopping. Veja por você mesmo o vídeo do modelo mais fraco de scanner visual.

 

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Uma cidade inteira, controlada pelo rastreamento da íris de cada cidadão. Agora me diz que isso não te incomoda nem um pouco.

 

O fato é que mesmo nós, acostumados com a exposição do mundo virtual, ainda não estamos preparados para esse tipo de coisa no mundo real. No Foursquare, você escolhe o que postar e quem pode ver, não uma instância difusa e hierarquicamente superior como “o governo”. A partir do momento que a vigilância é aplicada de cima pra baixo, voltamos para a sombra das Sociedades de Controle de Foucault (e eu pensei que nunca mais ia falar em Foucault). Esse sistema é a materialização tecnológica do tal do Olho do Poder, que protege o vigilante e reprime incessantemente o vigiado, criando uma relação desigual de poder entre as partes. Lembra alguma coisa?

 

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E agora chegamos na parte divertida. Nessa altura do campeonato, o argumento para a aceitação do sistema de vigilância e controle é sempre o mesmo: “se for pela minha segurança, o governo pode olhar minha vida, porque eu não tenho nada a esconder”. Bem, infelizmente, você também pode sofrer as conseqüências negativas desse sistema.

 

Na minha opinião, esse tipo de ferramenta de controle tem dois grandes problemas: a participação humana  e a natureza do processo de mineração de dados.

 

O primeiro é bem óbvio. Quando você não confia no seu governo, não quer que eles tenham ainda mais poder e controle sobre sua vida. Um mapa completo das minhas atividades diárias nas mãos de um sujeito que vive de desviar o meu dinheiro? Não, obrigado.

 

Mas é claro, com um volume de dados tão grande, é impossível que cada ficha de cada cidadão passe pelas mãos de pessoas. Isso é um trabalho para grandes centrais de processadores, impessoais, mecânicas e, portanto, justas. Esse é o segundo problema: computadores são burros.

 

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Mineração de dados é o que um sistema faz quando olha para uma massa gigantesca de informações e tenta encontrar padrões, em uma tentativa de definir a natureza de cada dado por aproximação. É simples: se anda como um pato, tem penas como um pato e faz barulho como um pato, deve ser um pato. O problema é quando o pato é você.

 

Tenho dois amigos que recentemente tiveram visto negado para os Estados Unidos. Um caiu no perfil do imigrante ilegal em potencial, e o outro no do terrorista em potencial (tá, eu não sei se isso é verdade, mas a única explicação plausível para o caso dele é a cara de árabe). A resposta para os dois foi a mesma: “Desculpe senhor, o sistema negou seu visto. Não há nada que possamos fazer.” E se em um ambiente como a cidade de Leon, no México, o bendito “sistema” resolve que você tem características típicas de quem vai cometer um delito? Até explicar que aquele saquinho na sua mochila é só manjericão fresco você já apanhou bastante, meu amigo.

 

Fatos baseados apenas em estatísticas e padrões nem sempre são verdades. E é nessas horas que você, que não tinha nada pra esconder, acaba encontrando as falhas desse tipo de sistema da pior forma possível.

 

 

PS: pra quem quer uma visão mais “acadêmica”,  o autor Daniel J. Solove escreveu um interessante estudo sobre as falhas do argumento do "eu não tenho nada a esconder". Vale dar uma lida. 

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Posted by Pedro Drable