Storytelling, engajamento e o garoto Zangief
Você já viu esse video. Mas não vai resistir a apertar o play mais uma vez.
Em menos de dois dias, o "Filho do Zangief" ganhou o mundo em um vídeo de 42 segundos de baixa qualidade, sem falas inteligíveis, sem famosos e sem efeitos especiais. Estou postando isso aqui porque acho o video um grande exemplo de como barreiras culturais entre países podem ser quebradas pela mensagem certa. Em menos de 5 segundos, os personagens já foram apresentados, e você já está torcendo pela retaliação. De uma maneira simples, esse video toca em uma ferida que qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo pode ter: o trauma do oprimido. Quem tem irmão mais velho, foi mais gordinho ou menos esportivo na infância, ou mesmo quem não sabe se impor na família ou no ambiente de trabalho já passou por isso. As chances estão todas contra você, e não há nada que se possa fazer. Até que vem a grande catarse. Num rompante de raiva, o garoto cria uma opção: incapacitar seu pequeno opressor e acabar com a festa. Aos 20 segundos de filme, o underdog resolve morder, e você não conseguiu esconder o sorriso. Em menos de 5 segundos, a luta está terminada. E você certamente viu passando pelos seus olhos todos os momentos em que queria ter esta coragem. Você não precisou de antecedentes escolares ou vídeos mostrando o dia a dia do pequeno vingador. A história da vida desse garoto se definiu em 42 segundos. E isso aconteceu de uma forma tão visceral, tão primal, que você não precisou entender uma palavra pra ser impactado. Mas é claro que não foi só você. Essa entrevista com o garoto, chamado Casey, ajuda a entender a dimensão que a história dele tomou pelo mundo. Uma expressão que se ouve muito no mercado publicitário é o tal "transmedia storytelling", que, falando bem por alto, é a noção de uma história contada de forma consistente em várias mídias ao mesmo tempo. Acho que esse video mostra que o "storytelling" ainda é mais importante do que o transmedia. E pra terminar a prosa, vale notar a quantidade de respostas positivas que o Casey recebeu, tanto em depoimentos filmados quanto nos comentários aos vídeos criados por terceiros. Ainda estou pra ver alguém recriminar o garoto que, analisando friamente, quase quebrou o tornozelo de um colega de classe. Suspeito que isso sirva pra definir uma das melhores formas de se conquistar engajamento do público: contando uma boa história.


