Games invadindo a vida real

A Geração Y, grosseiramente delimitada pelos indivíduos nascidos entre o fim da década de 70 e o início de 90, viveu a explosão e solidificação do mundo dos jogos digitais. Hoje, vários estudos indicam que o “jogador médio” tem mais de 30 anos, alto poder aquisitivo e vê os jogos como positivos para sua vida.

Mas algumas correntes conservadoras acreditam que os games são nocivos para a sociedade por isolar indivíduos, promover uma vida sedentária e substituir atividades que seriam mais importantes, como estudo, exercícios e interação social. Sendo um gamer convicto, eu posso dizer que em alguns casos, isso realmente acontece.

Mas e se pudéssemos aplicar a energia potencial dos games na mudança da nossa própria vida? É possível usar o engajamento que um bom jogo incita em você para mudar alguma coisa no mundo real? Bem, é pra isso que serve o Epic Win.

Epic Win App

Epic Win é um aplicativo para Iphones e Ipods que mescla uma lista de tarefas a um RPG com integração a redes sociais. O usuário cadastra todo o tipo de ação chata ou tediosa e, caso consiga executá-la como planejado, recebe pontos de experiência, ouro e itens para o seu personagem. Suas vitórias podem ser compartilhadas com os amigos pelas redes sociais, e cada avanço na lista desbloqueia uma novidade no jogo. A premissa pode parecer boba, mas acerta em cheio o centro de motivação de um gamer, ajudando o usuário a cumprir tarefas no mundo real pela diversão online. E isso é apenas um exemplo.

A desenvolvedora de games Jane McGonigal foi mais ousada: em sua palestra, ela discute a possibilidade dos games literalmente salvarem o mundo, e prova sua teoria com diversos exemplos. Basicamente, a proposta é similar ao Epic Win, trocando a lista de afazeres pessoais pela resolução de um problema que afete o mundo, como a fome, o fim dos combustíveis fósseis e o aquecimento global.

Jane McGonigal: Gaming can make a better world

Pode parecer um contrasenso usar os games para influenciar diretamente o mundo real. Mas a grande verdade é que não existe mais diferença: você está cercado por games. Sistemas de pontuação nas dietas, leaderboards de produtividade em escritórios e diversos outros aspectos da sua vida são diretamente influenciados pelo mundo dos games, seja você um jogador ou não. Para provar, fecho o texto com a palestra de Jesse Schell, de onde veio o nome desse post.

Jesse Schell - When games invade real life

 

O cérebro derreteu de tanto falar sobre jogos? Tudo bem, dá uma jogadinha pra relaxar.

Posted by Pedro Drable 

1 comment

Aug 22, 2010
Marcos Malagris said...
Muito interessante esse Epic Win. Não sei se sou otimista demais, mas imagino na integração de redes sociais com "camadas de games" na vida real possibilidades realmente positivas.

A motivação que a Jane McGonigal fala aplicada a, por exemplo, um espécie de gaming para doadores de sangue, com achievements etc. Ou um jogo para pessoas que querem deixar de fumar. Você ganha badges de acordo com o tempo que você fica sem fumar, compara sua performance com outros jogadores, entre outras possibilidades.

Uma questão muito importante a respeito da diferença entre games e a "vida real" são as conquistas atingidas. Nos jogos, existem conquistas a curto, médio e longo prazo, e, quando você as atinge, é recompensado na medida do esforço que você aplicou. Afinal, os desenvolvedores sabem que se o jogador não for recompensado ele não continuará jogando.

Existe a Teoria da Equidade, de Stacy Adams, que defende que se o indivíduo não for recompensado na mesma medida de seus esforço, esse se sentirá frustrado. Os desenvolvedores de jogos conhecem muito bem essa questão e tentam evitar a frustração em seus jogos, não só com as recompensas, mas também com os estudos de níveis de dificuldade etc.

No entanto, na "vida real" não damos muito valor a conquistas de curto prazo. Além disso, sabemos como é díficil ser reconhecidos e recompensados quando fazemos algo positivo. Por isso concordo que algumas características dos jogos podem realmente trazer ótimos benefícios para nossa vida.

Mais uma palestra sobre o assunto:

Seth Priebatsch: The game layer on top of the world - http://www.ted.com/talks/seth_priebatsch_the_game_layer_on_top_of_the_world.h...

Seth fala: "A última década foi a década do "social", esta próxima década será a década dos jogos". Vale a pena ver!

Leave a comment...